A família comunica o seu falecimento, informando que seu corpo está sendo velado no VELORIO em Florestal . O Sepultamento será 04/04/2016 às 18:00 horas,
no cemitério de Municipal de Florestal.
Luciano Rezende Moreira escreveu uma homenagem em: 04/04/2016 às 14:18:45
O homem que ensacolava livros
Paulo Dalton de Paula foi um daqueles professores singulares, que deixa uma marca indelével na vida da gente. Mesmo com o passar dos anos, carregamos conosco algumas de suas lições de vida.
Como se esquecer de uma pessoa que amava tanto os livros a ponto de guardá-los carinhosamente dentro de saquinhos plásticos? Essa é apenas uma de tantas outras lembranças que guardo dessa grande “figurinha”.
Em tempos emburrecedores, onde mal temos tempo de folhear um livro, Paulo Dalton era um Dom Quixote a lutar contra os moinhos de vento fragmentadores de sonhos. Estava sempre disposto a nos mostrar um novo livro, uma nova história, um novo fim.
Certa vez, em uma aula de psicologia, me lembro dele escrever uma frase em alemão que ocupou quase toda a lousa. Significava, em português, “visão de estranhamento”. Ele nos chamava atenção para nunca vermos uma injustiça como algo natural e citava o exemplo de uma pessoa que no primeiro dia que viu um mendigo encheu-se de compaixão, mas já na centésima passagem nem mais olhava para o miserável e já achava normal aquele “vagabundo” deitado no chão. Foi nesse dia que ele me apresentou a Bertolt Brecht.
Pois minha “visão de estranhamento”, despertada lá pelos idos de 1991 pelo Paulo Dalton, me faz estranhar muito a sua partida. Homens como ele são aqueles descritos por Brecht como imprescindíveis e merece de todos nós uma pausa na nossa alienante rotina para lhe render tributos.
O grande escritor argentino Jorge Luis Borges disse sempre ter imaginado que o paraíso fosse uma espécie de livraria. Espero que ele esteja certo e que Paulo Dalton desfrute bem desse eterno acervo.
Muito obrigado, Paulo Dalton.